A avaliação por competências tem se consolidado como prática educativa nas escolas básicas brasileiras. Educadores, especialistas e a própria BNCC ressaltam que educar através de competências pode levar a uma educação mais transformadora.
Avaliar como as competências estão sendo desenvolvidas, no entanto, pode gerar dúvidas durante o cotidiano escolar. Acompanhe neste conteúdo mais informações sobre as competências e entenda como avaliá-las.
O que é avaliação por competências na educação básica?
Como uma alternativa mais eficiente às avaliações tradicionais, a avaliação por competências busca valorizar o desenvolvimento integral dos estudantes por meio de um processo contínuo, contextualizado e centrado em habilidades reais.
Nessa forma de avaliação, competência é definida como a integração de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.
Para além de avaliar o desempenho dos estudantes por meio de notas, a avaliação por competências permite investigar posturas e processos de aprendizagem, entendendo os avanços ou desafios encontrados nas dimensões físicas, sociais, emocionais e culturais.
Como a avaliação por competências se relaciona com a BNCC?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como documento norteador e normativo para a Educação Básica brasileira, indica a avaliação por competências como uma forma de assegurar os direitos de aprendizagem de todos os estudantes.
O movimento não é apenas brasileiro: internacionalmente, a escolha de ensinar e avaliar por competências tem se consolidado nos últimos anos. Como exemplo, podemos citar o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que adota o modelo há mais de vinte anos.
A escolha dessa forma de avaliação está fundamentada, segundo a BNCC, na busca por uma educação que afirme valores e estimule ações transformadoras para a sociedade, tornando-a cada vez mais humana, socialmente justa e voltada para a preservação da natureza.
Nesse sentido, a BNCC destaca que ao longo da Educação Básica as aprendizagens essenciais devem assegurar aos estudantes o desenvolvimento de dez competências gerais, que colaboram para garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento.
Saiba mais sobre as dez competências gerais para a Educação Básica na tabela abaixo.
| As dez competências gerais para a Educação Básica, segundo a BNCC |
| Conhecimento: valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre os mundos físico, social e cultural para entender e explicar a realidade, colaborando para uma sociedade mais solidária. |
| Pensamento crítico: exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo investigação, reflexão, análise crítica, imaginação e criatividade para investigar, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e inventar soluções. |
| Repertório cultural: desenvolver o senso estético para reconhecer, valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. |
| Comunicação: utilizar conhecimentos das linguagens verbal e/ou verbo-visual, corporal, multimodal, artística, matemática, científica, tecnológica e digital para expressar-se e partilhar informações para produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. |
| Cultura digital: utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas do cotidiano. |
| Trabalho e projeto de vida: valorizar a diversidade de saberes e experiências, fazendo escolhas alinhadas ao seu projeto de vida pessoal, profissional e social, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. |
| Argumentação: argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência socioambiental. |
| Autoconhecimento e autocuidado: conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas e com a pressão do grupo. |
| Empatia e cooperação: exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, reconhecendo-se parte de uma coletividade. |
| Responsabilidade e cidadania: agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. |

Como avaliação por competências contribui para uma aprendizagem significativa?
Para os educadores Claisy Marinho-Araujo e Mauro Rabelo, a avaliação por competências viabiliza momentos em que os estudantes aprendem a identificar e utilizar esse conjunto de recursos, articulando-os a saberes e conhecimentos prévios.
Para os pesquisadores, “a abordagem por competência torna-se uma ferramenta que estabelece uma relação mais flexibilizada entre a construção do conhecimento e a transposição desse conhecimento para ações cotidianas”.
Nesse sentido, a avaliação por competências promove uma aprendizagem mais significativa por favorecer a construção de novos conhecimentos e a mobilização dos recursos e saberes em novos cenários, tornando a escola um espaço propício para criar, recriar, descobrir, imaginar e repensar o próprio mundo através de uma cultura de paz.
Além disso, as competências se consolidam em saberes essenciais para os desafios do século XXI, capacitando o estudante de acordo com uma educação integral e incentivando-o ao pleno exercício da cidadania.
Para se aprofundar no poder transformador da educação, recomendamos o Tedx Talk de Roberta Bento.
Como implementar a avaliação por competências?
Longe de buscar uma avaliação quantitativa do conteúdo assimilado, a avaliação por competências tem por objetivo investigar o percurso dos alunos de forma qualitativa. O modo de avaliar essa trajetória pode ser diversificado por diferentes avaliações.
Acompanhe quatro dicas práticas que podem ajudar na implementação da avaliação por competência nas escolas:
- Construa o Projeto Político Pedagógico: esse documento define e orienta o processo de aprendizagem, estabelecendo a identidade e os objetivos da escola. Aqui, as competências já podem ser direcionadas para os projetos da escola.
- Faça o mapeamento das competências: o documento da BNCC é rico e detalhista em relação às competências gerais e específicas de cada área do conhecimento. Compreendê-las é fundamental para planejar aulas.
- Dedique tempo aos planejamentos: bons planos de aula, com competências e habilidades já bem descritas, visam facilitar a criação de atividades e projetos interdisciplinares que foquem determinadas competências.
- Diversifique as avaliações: portfólios, autoavaliações, projetos em grupos, seminários, rubricas, indicadores e mostras culturais são bons exemplos práticos de análise e avalição das competências.
Exemplos de indicadores e rubricas na prática escolar
Os indicadores podem ser boas ferramentas para registrar e detalhar as habilidades e o desempenho específico em cada critério. Eles são ótimos para cruzar o desempenho dos estudantes, trazendo análises norteadoras para a escola.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) é um ótimo exemplo de como um indicador funciona: ele combina as informações sobre o rendimento escolar (taxas de aprovação) com as médias de desempenho dos alunos em avaliações de larga escala.
Na escola, os indicadores podem ser utilizados para medir as médias de nota por turma e taxas de aprovação ou reprovação, possibilitando focar o desenvolvimento de uma ou mais competências.
Já as rubricas são excelentes ferramentas para guiar os estudantes em relação ao seu próprio processo de aprendizagem.
Estabelecendo os critérios de avaliação e os níveis de desempenho de cada critério, os estudantes conseguem enxergar com mais detalhes onde precisam melhorar e onde apresentam melhor performance.
Para fazer uma rubrica, basta elencar os critérios e os níveis em uma matriz, atribuindo valor para cada critério. Esse valor pode ser em notas ou conceitos.
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) faz uso de rubrica para avaliar a redação. A seguir, você pode conferir um exemplo simplificado dessa estrutura.
| Domínio da norma culta | Atenção ao gênero literário | Estrutura argumentativa | |
| Muito satisfatório | |||
| Satisfatório | |||
| Insatisfatório |
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