Pensada para os dias de hoje, a aprendizagem baseada em projetos (ABP) é uma metodologia rica e diversa, que pode impulsionar estudantes e professores a descobrir novos conhecimentos e diferentes formas de aprender.
Com o estudante no centro do processo de aprendizagem, essa abordagem busca melhorar o engajamento e, consequentemente, aumentar a compreensão do estudante sobre os conhecimentos.
Confira neste conteúdo o que é e como aplicar de forma prática a ABP em sua sala de aula, com exemplos reais e estruturados.
O que é aprendizagem baseada em projetos (ABP)?
A aprendizagem baseada em projetos pode ser compreendida como uma estratégia pedagógica abrangente, que tem por objetivo envolver os estudantes em um projeto, dando a eles ferramentas para que construam soluções, incentivando assim o protagonismo estudantil. Os projetos podem ser interdisciplinares e duram entre algumas semanas e poucos meses, visando ampliar não apenas os conhecimentos curriculares, mas também as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) além das competências socioemocionais.
Cada projeto parte de uma questão norteadora, de interesse dos estudantes, e se desenvolve através de possíveis soluções e estratégias para compreender mais a fundo o tema proposto, convidando os alunos a trabalharem em grupos.
Qual a diferença entre projetos tradicionais e ABP?
A diferença entre projetos tradicionais e Aprendizagem Baseada em Projetos está na metodologia: a ABP é uma metodologia ativa, que coloca o estudante no centro do processo de aprendizagem, incentivando a criatividade, a investigação e a autonomia.
Confira as principais diferenças entre as duas práticas pedagógicas:
| Projetos Tradicionais | Aprendizagem Baseada em Projetos |
| Programação pré-definida, com tarefas e resultados já estabelecidos. | Estrutura flexível, com alterações de percurso de acordo com o interesse dos estudantes. |
| Aprendizagem passiva, baseada na transmissão de conhecimentos. | Aprendizagem ativa, com foco no desenvolvimento de competências e habilidades. |
| Estimula a memorização, limitando as possibilidades do conhecimento. | Estimula a colaboração, a criatividade e o pensamento crítico. |
Por que usar ABP para engajar os alunos?
Para a educadora Denise de Felice, Diretora da ONE School da casa Thomas Jefferson, a aprendizagem baseada em projetos estimula o envolvimento dos alunos por apresentar projetos reais e de interesse de todos.
Segundo Denise, “ao invés de promover a repetição de informações, a aprendizagem baseada em projetos proporciona ao aluno a possibilidade dele se engajar mais ativamente nos conteúdos apresentados. O estudante passa a ser integrante do processo, fica mais curioso e foca sua energia na resolução do problema”.
Além disso, a ABP também abre espaço para o ensino significativo, método que busca conectar um conhecimento prévio àquele que está sendo adquirido. Dessa forma, o aprendizado fica mais contextualizado e mais simples para o estudante, que se torna mais curioso e interessado durante as aulas.

Benefícios para a formação integral e o protagonismo estudantil
Podemos citar como benefícios diretos da aplicação da aprendizagem baseada em projetos:
- Estímulo à criatividade, à inovação e ao pensamento crítico;
- Desenvolvimento de habilidades socioemocionais – como a colaboração, a resolução de problemas e o pensamento crítico;
- Melhora no engajamento e aumento do desempenho acadêmico;
- Integração entre conhecimentos interdisciplinares – buscando uma educação integral;
- Aumento da autoconfiança, do protagonismo e da educação socioemocional do estudante;
- Maior possibilidade de melhorar a parceria educativa, com o envolvimento da família nos projetos;
- Melhora na relação entre professor e estudante na sala de aula.
Como aplicar ABP passo a passo na escola?
Sabendo o que é aprendizagem baseada em projetos, fica mais simples identificar como aplicar o método. Acompanhe a seguir 11 passos para colocar em prática essa metodologia ativa:
- Ponto de partida: comece pela pergunta motivadora, que pode ter relação com um conhecimento específico e com um interesse coletivo da turma.
- Divisão das equipes: peça para que os estudantes se dividam em grupos, imaginando que cada turma deve ter de 3 a 5 grupos.
- Construindo o desafio: com o tema definido, deixe que os estudantes pensem entre si caminhos que possam ajudar a solucionar o problema.
- Estabelecendo os objetivos: agora, é hora de estipular o que será feito, em quanto tempo e de que forma, sempre vislumbrando um objetivo final mais amplo, como uma exposição do projeto para as famílias, por exemplo.
- Foco na organização: separe um tempo para dividir com as equipes as funções de cada grupo, definindo as datas e os responsáveis.
- É hora de pesquisar: com o começo do projeto, é importante que cada equipe busque informações sobre seu tema, levantando bibliografia sobre e sendo apresentadas a novos conceitos pelo professor.
- Análise e síntese: incentive os estudantes a chegarem às próprias conclusões sobre o assunto, analisando o que foi estudado para, de forma criativa, reverem os objetivos e o percurso traçado até aqui para o projeto.
- Mão na massa: chegou o momento de aplicar os novos conhecimentos de forma prática, construindo elementos que farão parte do projeto final.
- Apresentação para a turma: com todos os itens finalizados, os grupos devem apresentar o resultado dos seus projetos de forma analítica e científica, explicando o método e os resultados alcançados.
- Avaliação: durante todo o projeto, o professor deve fazer registros e acompanhar o desenvolvimento, avaliando as competências específicas e gerais estabelecidas. Também é interessante fazer uma autoavaliação com os estudantes.
- Finalização e próximos passos: para terminar, reúna a turma para refletir sobre todo o projeto. Se houver oportunidade, comece a pensar como o projeto será exposto para a escola, em mostras culturais ou nos espaços educativos.
Para saber mais sobre como tornar o interesse dos estudantes um grande projeto através de metodologias ativas, recomendamos o episódio “Dragões: Aprendendo fora da caixinha” do podcast Eduko Escuta.
Dragões: Aprendendo fora da caixinha
Exemplos reais de projetos estruturados e interdisciplinares
São muitas e diversas as possibilidades com a aprendizagem baseada em projetos. Confira alguns exemplos práticos e interdisciplinares aplicáveis em sua escola:
Horta na escola: o contato com a natureza e a vivência prática de conceitos teóricos dá ainda mais brilho para o projeto sustentável da horta. Além de envolver o ensino de Ciências, a horta também pode contar com o ensino de História sobre economia sustentável e com a Matemática para contabilizar a produção.
Jornal estudantil:com escrita significativa e formação cidadã, esse é um ótimo projeto para as Ciências Humanas: a gramática e os gêneros podem ser estimulados em Língua Portuguesa; as pautas e os editoriais podem passar pela curadoria em História; Arte pode auxiliar no layout e na capa do jornal.
Olimpíadas ou jogos interclasses: de grande envolvimento pelos estudantes, os jogos são uma ótima oportunidade para estimular os valores do esporte. Além disso, os pontos podem ser atribuídos pelo ensino de Matemática, os resultados podem ser divulgados em matérias de Língua Portuguesa e até Física pode ser utilizada para medir a performance dos jogadores.
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Se quiser saber mais sobre os benefícios e as origens da aprendizagem baseada em projetos, recomendamos a leitura do artigo “Como a aprendizagem baseada em projetos transforma a educação”.

