O bullying é uma realidade nas escolas brasileiras. Diferentemente de brigas ou discussões comuns, o bullying se configura como uma violência rotineira, em que um indivíduo ou um grupo começa a perseguir com ações humilhantes um ou mais colegas.
Entenda neste artigo como essa prática violenta impacta os estudantes, como identificar os sinais em vítimas e agressores, além de ações práticas de prevenção e combate.
O que é bullying escolar e como identificar os sinais?
Segundo o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, representado pela Lei nº 13.185, em vigor desde 2016, o bullying é compreendido como todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitiva, sem motivação evidente.
Nessa concepção, o bullying é interpretado como intimidação sistemática praticada por um indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de humilhação e agressão para causar dor e angústia à vítima, e é marcado por uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
Além dos atos de intimidação, humilhação e perseguição, o bullying ainda se caracteriza por:
- Ataques físicos;
- Insultos pessoais;
- Comentários sistemáticos e apelidos pejorativos;
- Ameaças por quaisquer meios;
- Grafites depreciativos;
- Expressões preconceituosas;
- Isolamento social consciente e premeditado;
- Piadas.
O bullying é uma realidade nas escolas brasileiras. Segundo dados da pesquisa PeNSE, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, um em cada quatro estudantes brasileiros, com idade entre 13 e 17 anos, afirmaram que, por duas ou mais vezes, se sentiram ofendidos ou humilhados durante a convivência escolar.
Para identificar os sinais de bullying, tanto nas vítimas quanto nos agressores, a escola e a família devem estabelecer uma parceria educativa para ouvir, observar e acolher com atenção os estudantes.
| Sinais de bullying nas vítimas | Sinais de bullying nos agressores |
| ° Queda no desempenho escolar e pouco engajamento nas atividades ° Mudanças de comportamento, como aumento da timidez ou da agressividade ° Pedidos frequentes para não ir à escola ° Machucados inexplicáveis e corriqueiros ° Perda frequente ou destruição de pertences pessoais ° Isolamento social e perda do círculo de amizades | ° Envolvimento frequentes em brigas ou discussões ° Mostrar excessiva competitividade ° Mudanças de comportamento, como a busca por popularidade e aceitação no grupo ° Possuir novos itens materiais sem explicação ° Acusar constantemente outros por problemas, sem se responsabilizar por suas ações |
Tabela: Sinais de Bullying em vítimas e agressores
Diante da observação dos sinais e da suspeita de bullying, é essencial que as famílias e a escola ajam rapidamente para acolher os estudantes e encerrar esse ciclo de violência, visando sempre a uma cultura de paz nas escolas.
Quais são os tipos de bullying mais comuns nas escolas?
Identificar os tipos de bullying é fundamental para combater de forma eficaz essa forma de violência nas escolas.
Acompanhe os 4 principais tipos de bullying:
- Bullying verbal: envolve xingamentos, insultos, comentários ofensivos, apelidos pejorativos e outras formas de linguagem que visam diminuir a autoestima da vítima – que pode apresentar sinais de ansiedade e evitar interações sociais.
- Bullying físico: caracteriza-se por agressões físicas, como empurrões, socos, chutes e qualquer tipo de violência corporal. As vítimas chegam a apresentar machucados frequentes.
- Bullying psicológico: inclui manipulação, chantagens emocionais, ameaças e intimidação para causar medo e sofrimento psicológico à vítima.
- Bullying virtual ou cyberbullying: acontece através das redes sociais e plataformas digitais, com o objetivo de humilhar, assediar, perseguir e intimidar a vítima.
Cada tipo de bullying exige estratégias diferentes para seu combate. Compreender se a agressão é verbal, física, psicológica ou virtual auxilia educadores, gestores e famílias a agir com assertividade na mediação dos conflitos.
Se quiser saber mais sobre Cyberbullying, recomendamos a entrevista com Cleo Fante para a SM Educação intitulada “Bullying e Cyberbullying: conhecer para prevenir”
Como o bullying impacta a aprendizagem dos alunos?
O bullying impacta negativamente a aprendizagem dos estudantes em diversas dimensões, já que a escola, que deveria ser um espaço de acolhimento e de troca de conhecimentos, torna-se um lugar de violência, causando medo e desconforto.
Na obra “Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz” (2018), a educadora Cleo Fante reflete sobre os impactos na vivência escolar das vítimas de bullying, dizendo:
“O medo constante e repetitivo bloqueia a agressividade e o bom funcionamento mental, prejudicando as funções de raciocínio, abstração, interesse por si mesmo e pelo aprendizado, além de estender-se a outras faculdades mentais ligadas a autopercepção, concentração, autoestima e capacidade de interiorização.”
Podemos listar como impactos diretos na aprendizagem:
- Diminuição da concentração e do foco: estudantes que sofrem bullying permanecem em estado de alerta, medo ou ansiedade enquanto estão na escola. Isso dificulta muito a concentração nas aulas, a assimilação dos conteúdos e a realização das atividades.
- Baixa do engajamento e da performance: perdendo o interesse em ir até a escola, a vítima pode faltar às aulas com frequência, perder a vontade de participar das atividades, tornando-se calada e tímida nas aulas – o que levaria à reprovação ou ao abandono dos estudos.
- Aumento do isolamento social: o aluno que é excluído por ações de bullying tende a evitar atividades coletivas e o contato com estudantes e professores. Esse afastamento prejudica o desenvolvimento de habilidades socioemocionais importantes, além de prejudicar a educação emocional.
- Surgimento de problemas de saúde físicos e de saúde mental: não podemos deixar de alertar que a exposição constante ao bullying pode causar depressão, ansiedade, distúrbios do sono e da alimentação, dores psicossomáticas e até pensamentos de autoextermínio.
É evidente como o bullying prejudica não apenas o processo de aprendizagem dos estudantes, mas deixa marcas profundas na autoestima, na autoconfiança, na saúde emocional e mental e na capacidade de relacionar-se.
Isso destaca o quanto é necessário que as instituições de ensino promovam ações claras, engajando toda a comunidade escolar para que esse tipo de violência não se perpetue.
Como prevenir e combater o bullying na escola?
Prevenir ações de bullying nos ambientes educativos requer da gestão escolar uma série de medidas preventivas e políticas bem estruturadas, que devem estar alinhadas com os educadores e com as famílias.

| Ação preventiva contra o bullying | Descrição das atividades |
| Educar para a conscientização | ° Realizar campanhas educativas ou projetos (ABP) na escola sobre o que é o bullying e suas consequências; ° Compartilhar com os estudantes formas de identificar o bullying e dar instruções claras do que fazer quando isso acontecer. |
| Educar para a cidadania | ° Promover os valores da educação para a cidadania, como respeito e valorização da diversidade, da inclusão e da cooperação em todas as ações para a comunidade escolar. |
| Criar um ambiente seguro e acolhedor | ° Estimular a convivência respeitosa entre todos, a cooperação e a colaboração; ° Criar espaços seguros, inclusivos e de acolhimento, como rodas de conversa ou assembleias estudantis. |
| Formação continuada para educadores | ° Proporcionar formações específicas para educadores sobre o tema, trazendo exemplos claros sobre como lidar com os estudantes e mediar conflitos a partir de uma comunicação não-violenta. |
| Estabelecer diálogo constante com as famílias | ° Promover canais de escuta e acolhimento das famílias, disponibilizando recursos ou horários de atendimento para essa aproximação; ° Trazer o tema do bullying a reuniões de responsáveis, incentivando que as famílias também conversem com os filhos em casa. |
Legenda: Ações preventivas contra o bullying nas escolas
Já para combater o bullying diretamente, ou seja, para lidar com situações de bullying que acabaram de acontecer, é essencial possuir um protocolo de ação, com um plano claro de mediação do conflito, escuta da vítima e responsabilização do agressor.
Além disso, é necessário criar canais sigilosos de denúncias e oferecer acompanhamento emocional aos estudantes envolvidos, promovendo ações de saúde mental, além de orientação individualizada.
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Se quiser saber mais sobre práticas transformadoras de ensino, recomendamos a leitura do artigo “Como criar uma cultura de paz no ambiente escolar?”

